• White Facebook Icon
  • White Instagram Icon
  • White Twitter Icon
  • White YouTube Icon

© 2017 por Coletivo BSB no cabide 

AmandLa Gandhi e Elis Uchôa | bsbnocabide@gmail.com | whatsapp: + 55 61 9 9963-3057 | Brasília/DF

MIWA | de frente com o cabide

19 May 2017

 

          Durante o Fashion Revolution Day Brasília, tivemos a oportunidade de conhecer Carol Nemoto, criadora e designer da marca MIWA, que tem o compromisso de ser sustentável e produzir as suas peças de forma mais consciente.

 

 

CAROL NEMOTO

 

Foto: Raphael Carmona

 

          Formada em Design Gráfico e de Produto pela Universidade de Brasília foi para a Itália se especializar em Design de Moda pelo Politécnico de Milão a brasileira de origem japonesa, Carol Nemoto foi convidada a participar de duas edições da Semana de Moda de Milão no showroom para designers emergentes, edições Outono/Inverno, em 2011, e Primavera/Verão, em 2012. Também foi convidada especial a representar o “Made in Italy” na Semana de Moda da Varsóvia, Polônia em abril de 2013, em um desfile e um showroom temporário.

 

          Após isso, retornou ao Brasil para estrear sua marca Miwa e expôr pela primeira vez nacionalmente suas coleções na loja pop-up da São Paulo Fashion Week e Salão Bossa Nova, no Rio de Janeiro. Além disso, foi vencedora do Capital Fashion Week 2013, em Brasília, vencendo também outros concursos de moda a nível nacional e internacional.

 

 

MIWA PROJECT

 

 

 

          A Miwa Project é uma marca de design e moda contemporâneos que possui linhas de roupas unissex e femininas, acessórios e um ateliê de peças únicas. Como já dissemos, a marca trabalha com o conceito slow fashion, que quer dizer fazer uma moda consciente, feita para durar e com mão-de-obra e técnicas artesanais visando um desenvolvimento sustentável da moda. As peças não seguem uma tendência, são atemporais, o que também colabora para a tendência slow.

 

 

 

“É uma questão de reconectar-se com o que se veste, dar um novo significado às roupas e usá-las como ferramentas de comunicação de sua identidade, além de quebrar o ciclo do descartável fast-fashion.”

– Miwa

 

 

 

BSB no cabide: Fale um pouco sobre você e a sua relação com a moda?

 

Carol Nemoto: Meu nome é Carol Nemoto, sou dona da marca Miwa, tenho formação em Design de Produto e Gráfico, pela Universidade de Brasília (UnB), e fiz um mestrado no Politécnico de Milão, na área de Design de Moda.  A partir daí já fiquei apaixonada pela moda e resolvi ir para esse lado, então criei a marca Miwa e ela é de design sustentável (slow fashion).

 

BSB no cabide: A marca Miwa tem uma proposta diferente, de moda slow fashion. Quais são as outras propostas?

 

Carol Nemoto: Além da proposta slow fashion basicamente tento fazer um design que é atemporal, ou seja, não segue tendência e é duradouro, tanto esteticamente quanto na qualidade do material, na costura e na valorização da mão de obra. Nós (eu e os artesãos) criamos até uma relação afetiva e alguns até participam da criação. Me preocupo muito em pagar o valor correto pelo trabalho deles e do valor da peça.

 

 

BSB no cabide: Sabemos que o conceito slow fashion, está começando a crescer e é muito importante também para a conscientização das pessoas quando falamos de consumo. Você pode falar um pouco sobre sua origem?

 

Carol Nemoto: O slow fashion é uma extensão do slow food, que nasceu na Itália e era um contraponto da massificação da comida mesmo, o nome é até um trocadilho com fast food. Esse movimento vem para combater as grandes corporações, que visão o lucro e não levam em consideração a qualidade do produto, seu conteúdo nem o impacto ambiental na qualidade de vida das pessoas que consomem seu alimento.

 

 

 

BSB no cabide: E foi a partir daí que surgiu o slow fashion?

 

Carol Nemoto: Sim, essa mesma lógica foi expandida e aplicada para a moda. Na verdade, virou um slow movement com vários questionamento sobre o consumo, a qualidade de vida e sobre esses produtos como “Vamos melhorar a qualidade do que estamos comendo e do que estamos vestindo?”  ou “Por que temos que ter uma vida tão rápida e tão banalizada?”, e isso se expandiu para todas as áreas. Em 2007 a Kate Fletcher, em Londres, ela cunhou esse termo, que era exatamente isso: uma moda que se preocupa com todos os passos do processo do sistema moda, desde a plantação e do cultivo das fibras e dos materiais, até as condições trabalhistas, porque muitos trabalhadores morrem envenenados ou até de câncer nas plantações, por exemplo. A qualidade do produto também é visada, além de utilizar a mão de obra local, não uma produção muito massificada.

 

 

 

BSB no cabide: Utilizar a mão de obra local é muito importante...

 

Carol Nemoto: Exatamente! O uso dessa mão de obra local tem como ideia principal desenvolver, criar e fomentar a economia local. É você realmente conseguir ter uma comunidade de artesãos, costureiras, modelistas e gerar uma renda que vai impactar no bairro deles, na cidade deles. Então essa geração de renda vai gerar um poder econômico que vai melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Se essa pessoa receber um salário justo vai poder cuidar da sua filha e do seu filho, vai poder levar eles para a escola e ela enquanto chefe da comunidade de artesãos vai poder com o exemplo de liderança poder empoderar as mulheres ao seu redor, e não só as mulheres, os homens também. Isso ajuda também na questão cultural, pois vai estar empoderando uma cidade, um bairro ou uma comunidade e elas vão trazer suas histórias de vida, sua cultura, então tudo aquilo vai estar impresso no DNA do produto. Quando você adquire aquele produto, você sabe pelas cores e na sua manualidade a afetividade da cultura de onde aquele foi feito. Isso é uma das coisas importantes do slow fashion. Outro fator importante é a questão de humanizar o consumo e as relações de troca, pois você sabe de onde veio aquela pessoa. Muitas vezes no processo mesmo o consumidor pode participar do processo de produção.

 

 

 

BSB no cabide: Uma coisa que adoramos no seu trabalho é ele ser atemporal, então podemos comprar uma peça que vamos poder usar bastante em qualquer época do ano. Além disso, tem questão da moda agênero, que apareceu na sua última coleção. Você pode falar um pouco sobre o seu último trabalho?

 

Carol Nemoto: Na verdade a Miwa nasce como uma marca feminina nessa última coleção eu fiz uma mudança total. Mudei a modelagem, que antes era muita alfaiataria ajustada no corpo e fiz uma coleção com uma modelagem mais fluída e mais adaptada e vendo isso utilizei o branco e preto, que sempre gostei muito, então para mim foi muito fácil. Como coleção falava sobre o amor e sobre as relações humanas e a complementariedade, o ying e yang, ou seja, os opostos que se atraem, trabalhei o feminino e o masculino e como eles não são entidade totalmente separadas, nós temos dentro de nós o elemento feminino e o elemento masculino. Então eu quis trabalhar essa questão filosófica e psicológica, mas também socialmente e como as pessoas lidam com isso, por exemplo “Por que o papel hoje é tão definido?” ou “Por que é uma questão tão binária e cheia de estereótipos?”.

 

 

 

BSB no cabide: E como é essa moda agênero na coleção?

 

Carol Nemoto: E existe uma moda agênero que ela também é muito enevoada, então eu vejo que a modelagem é muito sem graça, as cores não são interessante... é meio largada, sabe? Então a minha ideia de agênero é muito diferente, o meu agênero não é necessariamente assim: você olha e não sabe se é um homem ou uma mulher. Na verdade, não interessa qual é percepção de gênero. A roupa que eu faço ela vai representar melhor a sua visão de identidade, então se um homem muito masculino veste uma camisa minha de seda, ele vai ficar muito masculino e não afeminado. Se uma mulher que é muito feminina pegar a mesma camisa, ela vai ficar muito feminina. Se uma pessoa que não se identifica com essa coisa muito binária vestir a mesma camisa ela vai ficar do jeito que vê. As minhas peças não são uma coisa muito plana, elas circulam.

 


 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Banco de Tecido e Nosso Tecido: a moda girando

FARM e Re-Roupa: um pouco mais sobre moda circular

Moda agênero e sustentabilidade na SPFW

FashRev 2019 tem 33 atividades em Brasília

ECONOMIA CIRCULAR E MODA

1/10
Please reload